O Estranho Mundo de Tim Burton

Timothy Walter Burton é o primeiro dos dois filhos de Bill Burton e Jean Erickson. Burton descreveu sua infância como peculiar, imaginativa e perdida em seus próprios pensamentos. Ele achava a vida doméstica e a escola difíceis e fugia da realidade do cotidiano lendo livros sombrios de Edgard Allan Poe e assistindo a filmes de terror de baixo-orçamento.

Após o colegial, ele ganhou uma bolsa da Disney para estudar no Instituto das Artes da Califórnia em Valencia, Califórnia. Estudou animação por três anos e foi então contratado pelo Walt Disney Studios como aprendiz de animador. Trabalhou no desenho” The Fox and the Hound”, mas estava insatisfeito com a direção artística do filme. Foi durante esse período que Tim Burton fez seus primeiros três curtas metragens: a animação em stop-motion “Vincent”, e dois live-actions, “João e Maria” e “Frankenweenie”. A história desse último, que envolvia um cachorro morto num atropelamento sendo ressuscitado de forma análoga ao Frankenstein, foi considerada sombria demais pela Disney, motivo que levou à sua demissão.

Seu apego ao horror e sua habilidade para a comédia foi conciliada em “Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice)”. Mesmo com o orçamento bastante baixo, o filme alcançou uma bilheteria razoável e levou o Oscar de Melhor Maquiagem. Foi com esse filme que o diretor finalmente se destacou e foi chamado para realizar a superprodução: “Batman”, em 1989, que mais tarde teria a continuação “Batman — O Retorno (Batman Returns)”, também com a direção de Tim Burton. Os filmes, baseados no personagem da DC Comics, não tiveram uma boa recepção e contaram com Michael Keaton no papel do homem morcego e Jack Nicholson e Danny DeVito nos papéis dos vilões Coringa e Pinguim, respectivamente.

Beetlejuice (1988)
Batman (1989)
Batman Returns (1992)

Com a carreira em alta, o diretor resolveu filmar seu projeto pessoal intitulado “Edward Mãos de Tesoura (1990) (Edward Scissorhands)”. Para o projeto, Tim Burton chamou o ator Johnny Depp, que a partir daí, viria a colaborar com vários filmes do diretor. Edward é imutável e vive no seu mundo particular. O castelo onde foi criado por seu inventor foi inspirado nos filmes de terror de 1950. Edward Scissorhands reflete os temas comuns dos filmes de Tim. Há um estranho protagonista, temas de filmes de terror antigos, assim como o mundo gótico que contrasta com o mundo dos desenhos animados.

Edward Scissorhands (1990)

Lançado em 1993, “The Nightmare Before Christmas” foi um sucesso de bilheteria e entre os críticos. Foi o primeiro filme de animação musical feito em stop-motion. A história gira em torno de Jack Skellington, o rei da abóbora de Halloweenland. No entanto, ele se sente entediado com sua vida, por isso, quando descobre Christmastown, sequestra o Papai Noel e decide que naquele ano estaria no comando do Natal. Mais uma vez, como Pee Wee e Edward, Jack é o protagonista estranho, insatisfeito e um pouco outsider. Não se sente em casa em Halloweenland, onde ele sabe que pertence, então tenta se adaptar e se encaixar em um outro mundo. Apesar de suas intenções serem boas, como as de Edward, ele é mal compreendido como uma representação assustadora do bom velhinho. Muito parecido com a maneira como Edward foi perseguido de volta para seu castelo, Jack percebe seu lugar e retorna ao seu mundo de Halloweenland.

Em 1994, o ator foi convidado para protagonizar a cinebiografia de Ed Wood, considerado tendenciosamente como o pior diretor de todos os tempos. Em 1996, estreou nos cinemas “Marte Ataca! (Mars Attack!)”, que é uma verdadeira carta de amor aos filmes “B” de ficção científica dos anos 50. Em 1999, chegou aos cinemas a adaptação da conhecida história “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999 — Sleepy Hollow)”. Em “Planeta dos Macacos”, em 2001, Tim Burton readapta a obra, porém, o filme é massacrado pela crítica e fracassa nas bilheterias.

Em 2003, Tim Burton volta à forma com “Peixe Grande (Big Fish)”, sendo bastante elogiado pelos críticos. No filme, baseado no livro “Big Fish: A Novel of Mythic Proportions”, Albert Finney desempenha o papel de Edward Bloom, um antigo vendedor itinerante do sul dos Estados Unidos, que possui um dom para contar histórias e que se encontra agora limitado ao seu leito de morte. O filho afastado de Edward Bloom, um jornalista interpretado por Billy Crudup, tenta recuperar a sua relação com o pai à beira da morte, enquanto este conta contos fantásticos da sua vida. Tim Burton e Richard D. Zanuck começaram a trabalhar em “Big Fish” quando terminaram o filme “Planeta dos Macacos”, e escolheram Ewan McGregor e Albert Finney para o papel de Edward Bloom. O tema de reconciliação entre um pai à beira da morte e o seu filho tinha um significado especial para Tim Burton, uma vez que o seu pai havia falecido em 2000 e a sua mãe em 2002, um mês antes do diretor aceitar realizar o filme. “Big Fish” foi filmado no Alabama, em uma série de vinhetas que evocam o tom da fantasia gótica do sul dos Estados Unidos. O filme recebeu nomeações para vários prêmios, incluindo quatro Golden Globes, sete nomeações da British Academy of Film and Television Arts, duas nomeações para os Saturn Awards e uma nomeação para o Oscar. A trilha sonora recebeu ainda uma nomeação ao Grammy.

Big Fish (2003)

Em 2005, chegam aos cinemas dois filmes de Tim Burton: a readaptação da” Fantástica Fábrica de Chocolate”, em que o diretor evitou usar efeitos digitais tanto quanto possível. A história é baseada em um conto russo-judaico do século XIX e ambientada numa fictícia Inglaterra da era vitoriana. Filmado em Londres, possui as vozes de Johnny Depp como Victor Van Dort.

A Fantástica Fábrica de Chocolates (2005)
A Noiva Cadáver (2005)

Fechando a primeira década dos anos 2000, Tim Burton adapta o musical da Broadway “Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da Rua Fleet”, mais uma vez estrelado por Johnny Depp. Em 2010, chega aos cinemas o aguardado “Alice no País das Maravilhas”, adaptado dos livros Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho. O longa, apesar de não ter recebido boas críticas, faturou 1 bilhão de dólares, transformando-se no filme mais bem sucedido de Tim Burton.

Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da Rua Fleet (2007)
Alice no País das Maravilhas (2010)

Em 2012, o diretor nos traz mais dois filmes. O primeiro é “Sombras da Noite”, baseado na novela sessentista “Dark Shadows”, criada por Dan Curtis. O filme fracassou nas bilheterias e dividiu bastante a crítica, mas, apesar de tudo, despertou grande curiosidade no público. O segundo filme é “Frankenweenie”, que é uma refilmagem de seu curta-metragem de 1984. A nova versão é feita em stop-motion e, assim como o curta, em preto e branco.

Sombras da Noite (2012)
Frankenweenie (2012)

O embaralhamento de emoções acabou virando um traço importante do cinema do diretor americano, que circula com maestria entre o alegre, o bizarro, o engraçado, o triste, o sombrio, o macabro, o excêntrico, o fantasioso, o kitsch. Seu novo filme, “Grandes Olhos”, estreou no Brasil no dia 5 de fevereiro e conta a história de Margaret Keane, uma pintora célebre nos anos 50, enganada pelo marido, que reivindicou a autoria de suas obras. “É um filme estranho: é uma história de amor, uma comédia e fala de relações. Senti que era uma história que tinha a ver comigo”, disse Tim Burton.

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