Grandes mulheres da arte em filmes maravilhosos parte2

Por Raquel Pellicano

Segue a parte 2 dessa lista que amo: com mulheres artistas personagens do cinema.

𝐂𝐚𝐫𝐫𝐢𝐧𝐠𝐭𝐨𝐧 – 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐢𝐱ã𝐨 (𝟏𝟗𝟗𝟓)⁣⁣
Uma das melhores cinebiografias já feitas, esse é um grande filme. Ao contar a história não de um, mas de dois artistas, na Inglaterra vitoriana, o diretor e roteirista britânico Christopher Hampton conseguiu fazer uma sofisticada obra que discute amor, arte, paixão e solidão, além da atração, não apenas sexual, mas física, intelectual e afetiva entre duas pessoas.

𝐕𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐨𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐆𝐞𝐨𝐫𝐠𝐢𝐚 𝐎’𝐊𝐞𝐞𝐟𝐟𝐞 (𝟐𝟎𝟏𝟎)⁣⁣
Uma das pintoras mais importantes da história da arte americana, Georgia Totto O’Keeffe (Joan Allen) pintou flores e paisagens como ninguém e conheceu o amor e a fama com o fotógrafo Alfred Stieglitz (Jeremy Irons), com quem manteve um intenso relacionamento amoroso e profissional.⁣

𝐌𝐚𝐫𝐢𝐞 𝐊𝐫ø𝐲𝐞𝐫 (𝟐𝟎𝟏𝟐)⁣
⁣A pintora Marie Kroyer vive um casamento infeliz com o famoso pintor dinamarquês P.S. Kroyer, no final do século XIX. Ela divide-se entre as funções de artista, mãe e esposa, e ainda é obrigada a conviver com uma doença mental do marido. Com o tempo, se sente cada vez mais sozinha e angustiada.⁣⁣



𝐂𝐚𝐫𝐫𝐢𝐧𝐠𝐭𝐨𝐧 – 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐢𝐱ã𝐨 #𝐕𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐨𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐆𝐞𝐨𝐫𝐠𝐢𝐚 𝐎’𝐊𝐞𝐞𝐟𝐟𝐞 #𝐌𝐚𝐫𝐢𝐞 𝐊𝐫ø𝐲𝐞𝐫 #𝐕𝐢𝐨𝐥𝐞𝐭𝐚 𝐟𝐨𝐢 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐜é𝐮 (𝟐𝟎𝟏𝟐)⁣⁣
Intratável, terna, boêmia, áspera, contundente, frágil e indomável. Violeta Parra foi uma das artistas mais emblemáticas do Chile – e ainda assim, profundamente ignorada por décadas.

𝘎𝘰𝘴𝘵𝘰𝘶 𝘥𝘢 𝘭𝘪𝘴𝘵𝘢? 𝘚𝘢𝘭𝘷𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘵𝘢𝘳𝘥𝘦, 𝘦𝘯𝘷𝘪𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘷á 𝘤𝘶𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮! 🙂 𝘛𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘴𝘶𝘨𝘦𝘴𝘵ã𝘰? 𝘊𝘰𝘭𝘰𝘤𝘢 𝘯𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘦𝘯𝘵á𝘳𝘪𝘰𝘴!

#𝐂𝐚𝐫𝐫𝐢𝐧𝐠𝐭𝐨𝐧𝐝𝐢𝐚𝐬𝐝𝐞𝐩𝐚𝐢𝐱ã𝐨 #𝐕𝐢𝐝𝐚𝐞𝐨𝐛𝐫𝐚𝐝𝐞 𝐆𝐞𝐨𝐫𝐠𝐢𝐚𝐎’𝐊𝐞𝐞𝐟𝐟𝐞 #𝐌𝐚𝐫𝐢𝐞𝐊𝐫ø𝐲𝐞𝐫 #𝐕𝐢𝐨𝐥𝐞𝐭𝐚𝐟𝐨𝐢𝐩𝐚𝐫𝐚𝐨𝐜é𝐮

Grandes mulheres da arte em filmes maravilhosos parte1

Por Raquel Pellicano

A inspiração pode vir de todo lugar – de uma música que você ouviu, de um livro, uma poesia, um filme, uma vivência, um diálogo. O mundo sempre contou com artistas mulheres incríveis, que foram 𝐚𝐛𝐚𝐟𝐚𝐝𝐚𝐬, 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐬, 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐭𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐨𝐮 𝐢𝐦𝐩𝐞𝐝𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐚𝐫𝐜𝐚𝐥. Decidi separar com carinho filmes que amo sobre arte que trazem personagens mulheres.⁣

𝐅𝐫𝐢𝐝𝐚, 𝐍𝐚𝐭𝐮𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐕𝐢𝐯𝐚 (𝟏𝟗𝟖𝟔)⁣
Nesse filme em seu leito de morte, a pintora Frida Kahlo relembra sua vida. O filme expõe de forma aleatória e não-cronológica, uma série de passagens da vida da artista.⁣


𝐂𝐚𝐦𝐢𝐥𝐥𝐞 𝐂𝐥𝐚𝐮𝐝𝐞𝐥 (𝟏𝟗𝟖𝟗)⁣
Baseado na biografia escrita por Raine-Marie, sobrinha-neta de Camille, esse filme foi o responsável pelo “renascimento” das obras da escultora.⁣

𝐀𝐫𝐭𝐞𝐦𝐢𝐬𝐢𝐚 (𝟏𝟗𝟗𝟕)⁣
Artemisia Gentileschi foi uma das primeiras pintoras conhecidas. O filme conta a história de sua juventude, enquanto ela era guiada e protegida por seu pai. Sua curiosidade profissional sobre a anatomia masculina, proibida para seus olhos, levam-na ao conhecimento do prazer sexual. ⁣

𝐒é𝐫𝐚𝐩𝐡𝐢𝐧𝐞 (𝟐𝟎𝟎𝟖)⁣
Considerada louca em seu vilarejo por ser dona de uma personalidade por vezes servil e por vezes absolutamente indomável, Séraphine passou a ser reconhecida como uma das expoentes francesas do grupo de artistas “primitivos modernos”. ⁣

𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐨𝐥𝐡𝐨𝐬 (𝟐𝟎𝟏𝟒)⁣
No final dos anos 1950, Walter Keane fez muito sucesso revolucionando a comercialização de arte popular com suas pinturas enigmáticas de crianças com grandes olhos tristes. O filme retrata a verdade chocante por trás disso: as pinturas vendidas por Walter não eram dele, mas de sua mulher, Margaret.⁣

𝘎𝘰𝘴𝘵𝘰𝘶 𝘥𝘢 𝘭𝘪𝘴𝘵𝘢? 𝘚𝘢𝘭𝘷𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘵𝘢𝘳𝘥𝘦, 𝘦𝘯𝘷𝘪𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘷á 𝘤𝘶𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮! 𝘌𝘮 𝘣𝘳𝘦𝘷𝘦 𝘱𝘰𝘴𝘵𝘢𝘳𝘦𝘪 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘦 𝟸. 🙂 𝘛𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘴𝘶𝘨𝘦𝘴𝘵ã𝘰? 𝘊𝘰𝘭𝘰𝘤𝘢 𝘯𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘦𝘯𝘵á𝘳𝘪𝘰𝘴!

𝐅𝐫𝐢𝐝𝐚 #𝐍𝐚𝐭𝐮𝐫𝐞𝐳𝐚𝐕𝐢𝐯𝐚 #𝐂𝐚𝐦𝐢𝐥𝐥𝐞 𝐂𝐥𝐚𝐮𝐝𝐞𝐥 #Raine-Marie #𝐀𝐫𝐭𝐞𝐦𝐢𝐬𝐢𝐚 #ArtemisiaGentileschi #𝐒é𝐫𝐚𝐩𝐡𝐢𝐧𝐞 #𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐨𝐥𝐡𝐨𝐬 #WalterKeane

Os 100 primeiros anos de fotografia na Europa

A Biblioteca Britânica e Museu do Louvre, plataforma da União Europeia acaba de lançar uma seção com 2,2 milhões de fotos
– por André Cabette Fábio (texto)/ Nexo

Mantida pela União Europeia, a plataforma Europeana é uma biblioteca on-line de arte alimentada por instituições como Berlinische Galerie, Biblioteca Nacional da França, Museu do Louvre e Biblioteca Britânica. Ela é atualizada constantemente e inclui, por exemplo, coleções focadas em arte barroca e iluminista, cartões postais do sudeste europeu e acervos de manuscritos. Em maio de 2017, a plataforma lançou a coleção temática Europeana Photography.

Essa coleção reúne imagens e documentos de 50 instituições europeias de 34 países que documentam os primeiros 100 anos da fotografia no continente europeu. Há mais de 2,2 milhões de fotografias, algumas delas de pioneiros, como a britânica Julia Margaret Cameron.

O material também será reunido e organizado em exposições virtuais numa série, intitulada “O prazer da abundância”, que, segundo a curadoria, “celebra a opulência e riqueza visual da fotografia vintage”. Uma das primeiras exposições da série se chama “Fotografia industrial na era das máquinas” e reúne imagens de máquinas, cidades, indústrias e oficinas do início do século 20.


Saiba mais: Europeana Photography e Europeana Blog

Fonte (texto): Nexo Expresso e Revista Prosa, Verso e Arte
Imagens: Europeana Collections

#fotografiaeuropeia #JuliaMargaretCameron #EadweardMuybridge





[Produção de Alunos] Intermédio em Fotografia

Uma das turmas de mais destaque em 2020 nos cursos do f/508 foi a do Curso Intermédio em Fotografia – os alunos empenhados trouxeram produções incríveis, resultado de esforço e estudo. O portfólio final solicitado teve como base de produção o tema “vanguardas da arte moderna europeia”, para que os alunos pudessem assimilar a técnica e os exercícios propostos ao longo da formação.

Foram abordados o uso da cor na fotografia, o retrato, a luz e sombra, as características do preto e branco, as múltiplas exposições, e outras técnicas, que atuaram como agentes catalisadores da criação de imagens fora da curva do banal.

Para saber +: f508.pt/cursos/

#cubism #surrealism #impressionism #expressionism #modernart #photographylovers




Composição, luz e captura

Por Raquel Pellicano

Quando fiz essa foto, não conseguia deixar de pensar na imagem de cartaz do filme Melancholia, do Lars Von Trier. Isso reforça o meu entendimento de que tudo que produzimos imageticamente é o resultado da mistura das nossas próprias referências culturais – o que assistimos, lemos, vivenciamos e ouvimos.

Decidi colocar por aqui um pouco mais de conteúdo relacionado com fotografia, então aproveito a deixa para recomendar algumas séries que me marcaram em relação aos cuidados com composição, luz e captura – tive o carinho de pensar só em produções que eu considero terem roteiros também impecáveis. 🙂

O gambito da rainha (Netflix)

Nos anos 50, uma rapariga num orfanato revela um talento prodigioso para o xadrez e inicia uma improvável ascensão ao estrelato, enquanto se debate com a dependência.
Com:Anya Taylor-Joy,Bill Camp,Marielle HellerCriado
Criado por:Scott Frank,Allan Scott


Normal People (HBO)

Normal People é uma série dramática de televisão irlandesa produzida pela Element Pictures para a BBC Three e a Hulu em associação com a Screen Ireland.


Euphoria (HBO)

Um grupo de estudantes do ensino médio lida com diferentes situações típicas da idade como drogas, sexo, busca pela identidade, traumas, comportamento nas redes sociais e amizade.


Anne with an E (Netflix)

Anne with an E é uma série de televisão canadense baseada no livro de 1908 Anne of Green Gables, de Lucy Maud Montgomery e adaptada pela escritora e produtora vencedora do Emmy, Moira Walley-Beckett.


The end of the f*** world (Netflix) 

The End of the F***ing World é uma série de televisão britânica absurdista dramática de humor ácido, baseada na série de quadrinhos The End of the Fucking World de Charles S. Forsman. 

Recomendo vivamente todas elas aos interessados em fotografia. Buscar referências visuais é uma parte muito relevante no estudo de qualquer fotógrafo.

Créditos da imagem:
fotografia: Raquel Pellicano
styling: @rachelsmidt
maquiagem: @talitasamaquiagem
modelo: Mari

[6 filmes com personagens fotógrafAS]

Por Raquel Pellicano

A lista de filmes sobre fotografia não tem fim – mas tristemente, a imensa maioria das personagens são homens: o estereótipo do fotógrafo branco, hétero, cheio de charme. A novela “Em Família” inovou com a Marina, personagem interpretada lindamente pela @tainamuller . Refletindo, fui em busca dos meus filmes favoritos com personagens femininas que fotografam, segue a lista: 

1- Mil Vezes Boa Noite (2013)
Rebecca é uma das principais fotógrafas de guerra do mundo. Porém, ela e seu marido sempre entram em discussão, por causa da vida perigosa que ela leva. O que faz com que a fotógrafa embarque em um turbilhão de sentimentos, tendo que optar pela família, seu marido e filha, ou a fotografia, que são as coisas que ela mais ama.

2- Momentos Eternos de Maria Larsson (2009)
Em uma época de mudanças sociais e efervescências, guerra e pobreza, uma jovem mulher da classe trabalhadora, Maria, ganha uma câmera fotográfica em um sorteio de loteria. A decisão de ficar com ela altera toda sua vida. 

3- Retratos Sublimes (1999)
O longa conta a história de Syd, quando ocasionalmente depara-se com sua vizinha, uma fotógrafa que largou a profissão há 10 anos, pois ficou louca com o sucesso. Lucy tem uma namorada alemã, dependente tanto do amor de seu amor, quanto das drogas. Syd é uma assistente má remunerada, que trabalha em uma grande revista de moda, e descobre visões fantásticas nas fotografias de Lucy. 

4- A Insustentável Leveza do Ser (1987)
Tomas, Tereza e Sabina são os protagonistas de um triângulo amoroso que se desencadeia em torno da carência pela liberdade. Tereza é uma garçonete que sonha em ser fotógrafa e este hobby acaba sendo um atrativo irresistível para Sabina. 

5- Os olhos de Laura Mars (1978)
Uma renomada fotógrafa de moda conquistou o status de profissional talentosa graças aos seus ensaios que simulam mortes violentas. De repente ela começa a ser atormentada por visões de brutais assassinatos.

6- Carol (2015)
Therese Belivet tem um emprego entediante em uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece Carol, uma elegante e misteriosa cliente. Rapidamente, as duas mulheres desenvolvem um vínculo amoroso.

O Grito do novo normal

Por Monica Nassar

A Arte Moderna fez o ser humano sair do armário da experiência estética clássica. Ignorando a tradição, o Impressionismo é tido como o grupo mais radical, instigante, memorável e rompedor de barreiras em toda a história da arte. Não menos combatentes, os próximos rebeldes entraram em cena em seguida com toda a carga e a sinceridade do sofrimento humano, violentando a arte dos mestres pregressos, fugindo de qualquer reminiscência da beleza e da polidez. Sob a influência de artistas como Vincent Van Gogh e Paul Gauguin, Edvard Munch (1863–1944) estabeleceu os fundamentos do Expressionismo, portando dentro de si o resgate do que existe de mais ancestral em nós: a angústia.


A partir da repercussão engendrada pelas revoluções industriais que percorreram os dois séculos anteriores, em uma expansão capitalista estonteante, a mecanização do ser humano no Século XX estava enfim com as bases sólidas e em pleno progresso. A bota das nações que conseguiram sair à frente estava cravada na nuca de outros países, impondo equipamentos, instrumentos, ideologia e cultura, fortalecendo a identidade da divisão de classes e da exploração do trabalho por todo o globo. Com a dinâmica social transformando-se, a existência do homem-máquina começava a ser exigida e, de certo modo, tornou-se obrigatória para atender a expectativa e a velocidade necessárias à modernidade.

Neste cenário, os movimentos artísticos no final do Século XIX eclodiram em via de mão dupla. A estética foi construída, ali, em fonte comum que inspirava a vida em sociedade e estimulava os artistas a explorar com cada vez mais profundidade os próprios sentimentos. Diante do abandono da naturalidade da espécie comunitária, o mal-estar do ser humano abandonado na tecnologia foi uma consequência automática. Do ponto de vista artístico, o nível de questionamento dos padrões estabelecidos e do contato com o sofrimento inerente à fuga do primitivo provocaria reações nunca antes vistas.

O impacto do quadro “O Grito”, de Munch, foi em 1893 e ainda é gigantesco. A obra deixa exposta a realidade sofrida, dolorosa, frágil e violenta, a complexidade dos desafios psicológicos à espreita de cada ruptura cotidiana. O ser humano esquálido, perplexo, expõe a derrota da busca constante por um mundo que esteja em ordem. Não há porvir quando se está terrificado. O mórbido personagem principal da tela, cercado de cores fortes, está de costas para tudo que é considerado normal e interpreta o mundo e a si mesmo de forma contorcida por estar completamente conectado consigo mesmo, com o próprio desespero.

“O Grito” é de uma solidão extrema, um monólogo grotesco, invisível, surdo, ao ar livre e em local público, sem máscaras. Esta pintura, resultado de estudos incansáveis do artista, em tinta a óleo, têmpera e giz pastel sobre cartão, nos encosta profundamente na ansiedade crescente dos dias de hoje. A pandemia profana a certeza do futuro — construída nas bases da racionalidade iluminista humana, sendo esta oriunda da guinada oitocentista política, social, científica, filosófica e, de maneira especial, religiosa — e que Munch já colocava em xeque psicologicamente. A obra do norueguês evoca os horrores futuros e mal-estar humano em face da perspectiva de uma nova era, nas incertezas dos novos tempos.

Qual racionalidade tem serventia a nós agora diante de um mundo que já era considerado totalmente distorcido e que nos surpreende com níveis de imprevisibilidade reformulados a cada dia? Quais os impactos desse isolamento em ondas que temos condições de suportar? Sobreviverão as nossas relações enquanto indivíduos e nações? O que mais será exigido de nós, humanos?

Por enquanto, “O Grito” brada a solidão que se dá na ausência física por tempo indeterminado de outros seres humanos — que também estão tentando entender o próprio pesadelo — e no processo antinatural para sairmos, nem que seja virtualmente, dos escombros das grandes novidades.

Nuno Awouters | Still

Nesta série, Nuno tentou retratar em uma ficção pessoal o estado de espírito que prevalece em Portugal no século 21, descobrindo que, com as crises que o sul da Europa está vivendo, chegam velhos fantasmas de decadência que nunca foram resolvidos

As pessoas estão em modo de espera, a aguardar a chegada do rei da batalha desaparecido para resgatá-los, pela maravilha que eles ainda acreditam que acontecerá, sem esforço.

Nuno Awouters​, ​nasceu em Lisboa, conclui​u​ o curso  na Escola Superior de Teatro e Cinema.Tem exposto em Lisboa em colectivas e individuais. Tem reportagens publicadas no The portfolio project e em Reportages Photo. Divide o seu tempo entre fotografia comercial e projectos individuais.

Fonte: https://www.privatephotoreview.com/

Bate-papo: Arte, artivismo e pandemia | ONLINE E GRATUITO | 27/04

Data: 27 de abril de 2020
Horários: segunda-feira, às 22h – Horário de LISBOA

Público-alvo: artistas e entusiastas, curadorxs de arte, comunicadorxs, designers, arquitetos, museólogos e estudantes

Clique aqui para se inscrever.

. O bate-papo é gratuito e será realizado através da plataforma Zoom.
. Dúvidas? Entre em contato através do e-mail f508.lisboa@gmail.com

No dia 27 de abril, às 22h (horário de Lisboa), o f/508 Lisboa e o f/508 Brasília convidam a todos para participação na roda aberta de conversa “Arte, artivismo e pandemia”, onde Camilla Ceylão (comunicadora de causas e entusiasta) e Renata Azevedo Moreira (pesquisadora e curadora de arte) contam com a mediação de Monica Nassar (artista e sócia administradora do f/508) para um debate sobre as formas que o artivismo pode tomar em tempos de coronavírus, discutir as contribuições sociais do engajamento político da arte e de que formas a arte nos ajuda a enxergar o mundo de maneira mais crítica.


Em seus ensaios sobre Arte Relacional, Nicolas Bourriaud coloca, como uma das grandes contribuições da arte contemporânea, a perspectiva da obra de arte como agregadora e do museu como lugar de interação. Existe cumplicidade nos olhares que se doam à compreensão da obra aberta e o ato de se compartilhar o mesmo espaço/tempo se reverbera em memória restrita àqueles que puderam se fazer presentes. 

A contemporaneidade nos introduz mais um celeuma no mundo da arte: o artista, despido e liberto da técnica, que (ainda no caráter relacional) assume o compromisso com o engajamento coletivo, a complexidade das participações sociais e seus confrontos com forças governamentais e corporativas, e, na década de 60, no Brasil, autoritarismo. 

O termo “arte ativista” foi criado pelo coletivo norte americano Art Ensemble” em 1996, utilizado para definir artistas que se utilizavam de tecnologias e mídias diversas para desenvolver contribuições sociais. Mais tarde, em 2003, Juliana Monachesi publica um artigo na Folha de São Paulo chamado “A explosão do A(r)tivismo”, citando Cildo Meireles, Helio Oiticica e outros artistas. 

O aspecto relacional da arte, nesse momento, depende diametralmente dos dispositivos de comunicação. Não passa despercebida a profusão da arte politicamente engajada nos anos 90, contígua a popularização da nossa tão conhecida (e talvez mais necessária que nunca) internet. 

O ano é 2000 e esse vai ser o meu ano 20. Uma pandemia continua a se alastrar no mundo. Estamos lidando com a interdição dos pontos de encontro sociais, os famosos “nós” urbanos, e dependendo ainda mais da formatação virtual das relações. O presente carrega consigo uma série de incertezas. Estamos sem prazos para soluções e muito menos para o fim. O cenário pode ser desanimador para aqueles que ainda não perceberam que estamos moldando o que vem a seguir. Há uma latente necessidade de adaptação do “fazer”. Nós, artistas, estamos nos deparando, ainda mais enraizados na rede de computadores interligados, com a possibilidade de formatarmos os novos espaços de arte, novos engajamentos, novas participações sociais. 

HOUSTON, TX – DECEMBER 16: Conceptual artist Nadezhda Tolokonnikova (C) of Pussy Riot performs onstage during Day for Night festival on December 16, 2017 in Houston, Texas. (Photo by Rick Kern/WireImage)

Participantes

Renata Azevedo Moreira é jornalista, pesquisadora e curadora de arte. Doutoranda em Comunicação pela Universidade de Montréal, Renata estuda o diálogo estabelecido entre o gesto curatorial e a obra de arte especialmente no caso das mídias digitais. Em sua visão, o projeto artístico torna-se obra a partir das relações que estabelece com sua exposição, e a obra de arte é mais bem compreendida como um processo construído ao longo do tempo do que como um objeto singular e fixo. Além dos textos acadêmicos, Renata publica resenhas de exposições em sites e revistas de arte canadenses, como Baronmag.com e Esse Arts+opinions, participando também de comitês de programação e conselhos de administração dos centros de artistas Skol e Studio XX em Montréal. Atualmente, ela trabalha como coordenadora de comunicação e programação paralela da galeria Arts Visuels Émergents (galerieave.com).
Seu artivismo se manifesta principalmente na orientação feminista e queer de suas intervenções artísticas. Na exposição coletiva Femynynytees, realizada em 2018 em Montréal, ela convidou artistas a repensarem o que significa ser ou ter um corpo feminino em um contexto em que o sexo biológico não determina mais o gênero de uma pessoa. No mesmo ano, Renata coordenou a programação do festival feminista de novas mídias HTMlles, também em Montréal, com uma exposição coletiva na temática pós movimento #metoo chamada Beyond the Hashtag: Failures and Becomings. Em épocas de confinamento, Renata tenta manter a sanidade mental com práticas diárias de ioga e tarô entre uma página e outra da redação de sua tese – mas ela também tenta aceitar que está tudo bem não ser tão produtiva assim neste momento.

Camilla Ceylão é feminista, comunicadora de causas e entusiasta da arte e cultura. Sua trajetória profissional é diversa e inclui experiência em diferentes áreas e em todos os setores, incluindo governo, empresas e organizações da sociedade civil.
A paixão por arte e cultura a acompanha desde cedo, assim como a atuação guiada pela defesa da justiça social e dos direitos humanos. Atualmente ela trabalha com comunicação de causas em uma OSC, a Nossa Causa, e é responsável pelo marketing de uma agência movida por causas sociais, a BeCause. 
Camilla descobriu o termo artivismo quando um artista a identificou como “artivista” após ouvir sua apresentação. Desde então, ela passou entender melhor a conexão entre seu trabalho e seu hobbies – entre comunicação, política e arte. 
Ela ainda não se considera uma artivista, mas se sente lisonjeada por ter sido reconhecida como tal.

Mediadora

Graduada em arquitetura e Urbanismo no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), cursou Cenografia na Escola São Paulo, onde produziu em coletivo o projeto ViroRio, exposto na Quadrienal de Praga de Cenografia e Performance, em 2015. Participou da equipe de pesquisa da exposição do multiartista Tadeu Jungle na Sala do Humano do Museu do Amanhã. Usou suas habilidades multidisciplinares para compor equipes nas mesas independentes da Mesa e Cadeira, trabalhando com os ciborgues Neil Harbisson e Moon Ribas na construção do WeTooth, o primeiro aparelho de comunicação intra-dental do mundo (contemplado no Guinness World Records 2020), em 2016 e com o fundados do Kickstarter, Perry Chen, na publicação do livro “A bridge to a bad star” sobre o desastre de da base espacial de Alcântara, no Maranhão. Completou uma pós graduação em Cenografia e Figurino, na Universidade Belas Artes de São Paulo, onde produziu o aplicativo Adelaide, para mapeamentos de roteiros e gestão de projetos criativos. Em 2019, participou pela segunda vez da Quadrienal de Praga de Cenografia e Performance, na temática “novas técnicas dentro da cenografia”.


#garimpof508 Marta Ferreira

O projeto #garimpof508 é destinado à divulgação de trabalhos de artistas e fotógrafos de língua portuguesa.

Selecionaremos Instagrams para você conhecer e seguir, com uma breve entrevista para que todos possam saber um pouco mais de quem está por trás das obras. Essa semana garimpamos o trabalho da artista Marta Ferreira (@martanferreira)

1- Quem sou: 

Nasci junto ao mar, em Cascais, e emancipei-me rumando para terras montanhosas.

Designer de profissão, lecionei Artes e voltei a Lisboa para aprender, altura em que surgiu a oportunidade de entrar no atelier que integro desde 2004.

Design e fotografia misturam-se no meu percurso de vida. Aderi ao instagram em 2014 e, desde então, tenho marcado os meus registos por uma simplificação da narrativa visual. Pelo caminho surgiu a oportunidade de colaborar com marcas e entidades como a Fujifilm, Museu Berardo, Escada, Issey Miyake e Volkswagen.

Recebi o prémio de melhor mural na gala InstiesGerador 2018 e em 2019 voltei a subir ao palco eleita a melhor instagrammer de Portugal, prémio que abriu as portas à minha primeira exposição individual.

Como vou – Filtros e temáticas prediletas

Apreender o espaço arquitectónico e dar-lhe novos contornos narrativos é uma constante nos meus registos. Existem neles metáforas sobre a forma como habitamos e nos relacionamos com o mundo, como deixamos uma marca por onde passamos e como somos mínimos num mundo que tomamos como nosso.

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Para onde vou – Projetos e objetivos futuros

Não traço metas, 2020 será sempre marcado como o ano do aqui e agora, os planos foram atropelados pela voracidade dos dias. Continuarei a abraçar desafios e a avançar para o desconhecido.